- Um copo, por favor. – ele pediu aquele copo com uma determinação que até mesmo o bar tender ficou assustado. O Garçom escolheu qualquer copo, o mais próximo, contudo, Paulo decide por um copo específico, um que estava numa prateleira, empoeirada, pequeno, quase fosco. Elias, o garçom, avisa que aquele copo está ali há muito tempo, que praticamente ninguém usava. Mas ele era insistente. Queria aquele copo a qualquer custo. Não sabia ao certo o que beber. Sabemos bem, caros leitores, que para se beber um bom vinho, um bom copo é preciso, um conhaque, outro; até mesmo a popular cerveja não deve ser apreciada em copos de plástico.
O garçom decidiu oferecer uma aposta a Paulo, que muito paciente aceitou. Era o seguinte: havia naquela prateleira, além daquele copo, várias bebidas de diferentes nações, cores, sabores, cheiros; com capacidades alucinógenas. Ele poderia escolher qualquer uma, a garrafa inteira, se ele bebesse e mesmo assim ainda escolhesse aquele copo o garçom tomaria uma bebida especial que refletia sentimentos alheios.
Elias, o garçom, oferece então uma bebida da Noruega, país distante e altamente místico, crer-se-ia que quem bebesse daquela ardente bebida seria capaz de ver o interior das pessoas, mas para tanto o coração de quem bebesse também deveria ser puro. Paulo recusou, imaginou não ter o coração tão puro assim.
Em seguida, Elias oferece uma bebida élfica, era uma bebida gasosa que só se materializa em liquido no momento de encostar ao copo, feito exclusivamente para ele com lágrimas de elfos da primeira geração. Quem bebesse dessa bebida não choraria mais, nem sentiria tristeza. Mas para que isso funcionasse a pessoa que a bebesse nunca na vida poderia ter fingido chorar, ou mentir emoções não suas. Paulo também desistiu dessa aromatizante garrafa élfica.
Terceira e última garrafa, Elias já estava ficando impaciente, ele não deveria tocar naquele copo, ele considerava ter oferecido as mais atraentes bebidas ao rapaz que se mantinha firme [não tinha outro jeito] no desejo de ter em mãos aquele copo, daquela específica prateleira. Essa garrafa era especial, Elias assovia e naquele instante diversos pássaros adentram o bar carregando uma garrafa de madeira cintilante, meio azulada. Aquela bebida fora feita com o extrato de plantas da primeira árvore existente no mundo, quem bebesse daquele líquido ganharia o direito à vida e juventude eternas, um gole, uma eternidade.
Mas como todas as outras bebidas, essa também tinha a sua condição para habitar o corpo de alguém. Para que o efeito não fosse contrário a pessoa nunca poderia ter maltratado a vida de alguém, deveria ter sido pura, pois só seria mantido aqui, dessa forma, com eternidade quem tivesse a vontade absoluta de fazer coisas boas. Mais uma vez ele teve que recusar a garrafa.
Elias então cumpriu com o prometido, bebeu sua bebida para ver os sentimentos alheios e entregou o copo a Paulo, que sorridente não pede nada para beber nele. Coloca o pequeno copo no bolso e sai. E quando partiu, Elias observava seus sentimentos, era uma mistura de carência, falta de opção e desejo de posse. E o copo? Não havia nada demais nele, Elias utilizava para dar leite para seu gato.

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