terça-feira, 26 de julho de 2011

Memorial da Nostalgia

Hoje eu te vi no amanhã. Estavas bela, como sempre. Tua pele não tinha mais aquela textura de outrora, estava marcada pela vida.
Tu, no amanhã, não me viste. Mas o que importava ali era os meus olhos no futuro. Foram breves momentos, “seja bravo, seja breve”, mas parecia que eu te congelava em imagem. Não poderia estar ali, mas estava. Queria ter parado e te olhado um pouco mais, já que de ti agora sei tão pouco, sei mais pelo que sinto.
Quando nossos olhares se cruzaram parecia estar claro pra ti [no amanhã] que me conhecias de um passado, já tão remoto. Vi-te sorrindo, um sorriso cheio de máscaras: “me joga na rua”, lembrei. Esses momentos nostálgicos tendem a nos deixar pensativos durante um dia todo, assim fiquei.
Perguntei-me por onde andas no presente, o que fazes nesse exato momento. Nada? Acredito que pelo horário dormes, já que a preguiça é uma das tuas qualidades.
Meu coração disparou, não consigo ser hipócrita. Em minha cabeça cai uma folha seca pelo tempo, úmida pela chuva e pede-me para guardá-la junto às lembranças. Lembrar é que deixa-nos eufóricos. Penso quantas vezes ainda pensas em mim e de que forma. Nossas lembranças, embora tumultuadas, geram com o passar do tempo e seleção, apenas as lembranças boas, de afeto e dedicação [sobretudo da minha parte, como não deixaria de ser].
No manejo do olhar, eu te vejo no amanhã. Na destreza do pensamento eu [não] te quero agora. Pela justiça do meu peito, desejo a felicidade que não tive, a alegria na qual me resigno. Teus olhos continuam caleidoscópios no futuro, daquele jeito que sempre admirei.
Admirar olhares no fundo é admirar mentiras, não há no corpo parte que minta mais e que revele mais verdades errôneas. Aceito-as, como tudo que tu pôde me oferecer. Ofereço-te uma lágrima sorridente e te desejo um dia ensolarado e feliz de galanteios e carinhos, pois tu mereces.

Nostalgia

Nenhum comentário:

Postar um comentário