domingo, 10 de julho de 2011

O vagão das almofadas


O carrinho mirava a porta do próximo vagão, quando faltavam uns três metros foi arremessado em direção à porta, por um instante pensava que iria morrer, mas a porta se abre e ele cai numa confortável almofada de penas.
Todo aquele vagão era feito de almofadas, diversas, coloridas e gostosas. Ela estava lá dentro, brincava de “guerra de almofadas” com ela mesma, ria desesperadamente, uma rizada eufórica, linda e completamente descontrolada. Ela pedia desculpas por rir tanto, ele não dizia nada, estava hipnotizado por aquele sorriso.
Para sair do seu estado hipnótico ela jogou uma almofada nele, que de pronto ele abraçou, sentia o perfume dela, foi até seu encontro, beijo-a fervorosamente. Ele já amava aquele beijo, um beijo mordido, com gosto de “amanhã”.
Após o beijo, ele  abraçou-a, com um afeto indescritível. Ele sussurrava uma canção, linda... Mas era um sussurro tão baixo que ela ouviu apenas algumas palavras dele, num idioma que não o agradava, mas ele arriscava.
Deitaram numas almofadas com cheiro de “agora”. Ela olhava-o  com ternura, ele sentia seu coração disparar. A suavidade do momento apresentava-lhe um misto de furor e calmaria. [click].
Era uma manhã linda. Com gosto de “passado/presente”. Ele sentia a macies da pele dela. Ela falava coisas lindas, uma voz aveludada, repleta de lealdade.
Havia três relógios feitos de almofada, no vagão. Os três estavam parados. O tempo havia parado. Parecia sonho [e quem sabe não era]. Estava tudo claro. Ele queria afaga-la o máximo possível.
Ela com fome, ele carregava consigo um bombom; ela comeu sorrindo.
E nada ali podia estar errado...
Até porque, quando o tempo pára no momento certo, não há espaço para coisas erradas e imperfeitas.
E o perfeito? É tudo aquilo que não podemos retocar.

Eles adormecem

E sonham o mesmo sonho. ZzZzZzZz

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