E quem foi que me disse certa feita, que deveríamos seguir que devíamos aprender a lidar com nossos passados? Os bandolins tocam de acordo com as notas que lhe são entregues. Cada nota, um compasso ou ao contrário.
Cada grito no silêncio transborda o vazio. E o que fazer? Correr. Corre-se do vazio como o diabo da cruz (embora não acredite que realmente o diabo corra, acredito que ele seja bem corajoso).
Certa feita uma menina de olhos lindo me olhou e disse-me coisas lindas com os olhos. Outra vez outra menina me olhou com o mesmo olhar. E o que é o olho? Mais uma parte sincera do corpo? Sinceridade é tudo, ser sincero consigo mesmo faz parte de uma existência que é deveras curta. Sejamos sinceros então: “porra!”
O fabuloso ser humano sempre nos instrui a correr dos medos sem vencê-los. Pra lutar por algo que acreditamos ser melhor? É mais fácil olhar pra trás e tentar se conformar com o que teve (ou não). E com o novo? Ahhh...vamos deixar o novo virar passado e quem sabe assim podemos nos interessar por ele. Ohhh seres humanos! Que lindo isso, eu, um historiador tentando ao máximo negligenciar o passado. Hoje o faço, embora meu presente insista em se travestir de passado recente.
E como olho isso? Com ternura, com simplicidade, não consigo olhar de outra forma. Sinto falta de afagos, de entregas, de investidas puras e dedicação exclusiva, aliás, pensemos melhor, quem não sente?!!
Certa vez meu pai me disse que se tivesse a minha idade com a sabedoria adquirida no auge dos seus 64 anos ele dominaria o mundo. Eu não tenho tal pretensão, pretendo apenas me entregar, sem medos e bagagens. Ah, sim, não escolhemos o que sentimos, mas escolhemos onde investir nossas atitudes. Eu invisto. E dá certo.
Investir: um verbo já monetariamente travestido. Invista em emoções.
Museu? Eu gosto. Olhar pra trás e ver o quão belo vivi, me mostra que sou forte e delicio-me com isso. Não tenho gaveta de cartas, álbuns de fotos ou qualquer coisa que me transporte a uma “realidade” distante. Meu álbum e gavetas são metafóricas. São internas. São só minhas.
E o passado? Deve ficar sempre no lugar dele. Não seja mera sombra dele.
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