Aquele ar cálido, terra verde, árvores cor de barro. Um barulho de sinos em cordel. Como era quente aquele dia, tão quente que no clima frio em que me encontro fica difícil até de imaginar.
Algumas coisas são tão inexplicáveis que fica aqui a tentativa de explicá-las. Era inverno, um inverno deveras quente [para mim]. Era um cabelo comprido [que depois se fez curto]. Salas casuais, encontros tantos assim quanto possíveis. Ela vestia uma saia jeans e um sorriso largo. Era uma menina de dentro, preferia assim. Meus olhos miraram-na com curiosidade, era só o que me era permitido.
Um toque de voz, um lampejo de alma, dois toques e alguns medos. Uma viagem, um sertão, uma história, algo de aluvião. “você faz perguntas demais”. De fato fazia.
Em contraste, um seco desenrolar. Pedaços de papeis escritos com vontade. Leituras escondidas, para esconder a expressão. Um punhado de lembranças espaçadas, porém fincadas de uma forma quase eterna. Um entrelaçar de dedos, dois copos d’água.
Naquele dia, à noite, choveu no sertão. Eles estavam lá, caminharam pela chuva quente, pararam num abrigo de sol, escondendo a chuva. Difícil. Difícil falar de sertão chuvoso e não lembrar.
Essas lembranças não adormecem como tantas outras. De tempos em tempos elas ressurgem magicamente, logo em alguém como eu, que absorve o passado com a força que o presente me dá.
Ela caminhava, por vezes, entre corredores. Passos firmes, talvez não tão certos. Flores não sabem caminhar, flores vão com o vento. E naquela terra árida essa flor se fortalece, se modifica, sabendo exatamente onde estão suas raízes.
Flor do sertão.

Lindo, simplesmente! Obrigada. :)
ResponderExcluirDe nada, tu sabes o encantamento que é tudo isso :) xêro
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