domingo, 24 de julho de 2011

Memorial da Alegria

[risos e sorrisos] Brincaram de roda, caem no chão. Era uma tarde deliciosa de frio e sol. Era uma tarde simplesmente normal. Não que o normal os incomodasse, o que importava é o que sentiam por dentro, sentimentos confusos e desalinhados, mas sentimentos felizes, discretamente.
O campo estava coberto de girassóis, dos mais amarelos que existiam, eles vestiam túnicas brancas e se destacavam entre eles. A alegria estava ali, repleta de campo, cor de vida e sabor de anis.
De repente uma pancada de chuva cai, ele tinha um guarda-chuva verde, os dois se esconderam embaixo dele, o barulho da chuva tocando os girassóis era quase metafísico. Ele falava coisas divertidas, ela ria, por dentro e por fora [como deve ser]. “Havia um buraco no campo, ali poderia ser plantado um majestoso coqueiro”. Ela não entendeu, não sabia o que responder, não respondeu nada, só rio [dessa vez só por dentro].
A chuva parou, eles se olharam e sorriram lindamente um para o outro. Ele jogou fora o guarda-chuva verde, não precisava mais dele. “É por isso que te amo” -  disse ela. Ele a pegou no colo jogou-a no chão e rolaram na relva molhada, esverdeando as túnicas, beijaram-se fortemente e fizeram amor. Toda vez que o faziam parecia a primeira vez, tremiam de angustia e certeza. Esse misto de sentimentos sempre os tomava conta.
Uma garrafa de água, um bolo de cenoura com chocolate e muitas lambuzadas divertidas. Era uma tarde que parecia não ter fim, mas o crepúsculo já se adiantava, admiraram aquele pôr do sol, abraçado por entre os girassóis, que magicamente não seguiam mais o sol, olhavam-nos, seguiam-nos como numa sinfonia perfeita de pureza e realidade.
Esses momentos são ditos “perfeitos”, pois não podem ser retocados, a alegria refletida em suspiros, desejos e um enorme sentimento de que [realmente] deveriam estar ali. Estavam, permaneciam, continuavam. Como tudo que é simples deve ter.
E o vento tocava-lhes o rosto. Era hora de ir embora.
Era hora de dizer...
Até amanhã, pois ele sempre chega.

Alegria.





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