Para sempre, meu mausoléu de lembranças [ elas são singelas];
Para sempre, meu inequívoco jeito de ser [mutável];
Para sempre, minha vida de emoções [montanha-russa agradável];
Para ontem, minha fadiga de existir [um bocejo confortante];
Para ontem, meu sorriso perante o mar [que não [muito] me agrada];
Para ontem, teu sorriso de alcaçuz.
Para já, meu lampejo de ciência [minha fé, que não remove montanhas];
Para já, aquele copo cheio de amarula [soluçar embriagado].
Para já, minha vida mais cheia de vazio cronológico [o tempo me é caro].
Gosto do verde mais verde, do cinza mais verde e de pássaros felinos.
Gosto do cheiro da intensidade, do brasão da alegria.
Gosto de piqueniques na praça, de cães latindo, de senhores lúcidos.
Quero mel na manteiga, jornais de amanhã e textos tranquilos.
Quero o cantar do vento, o sonhar da criança e a falência da promiscuidade pueril.
Quero querer.
Meu horizonte é vertical, premiado e constante.
Meus beijos têm gosto de ‘sim’, cheiro de alegria e intensidade de tempo parado.
Meu abraço de têm tom de azul-bebê, toque de chuva e vontade de pôr-do-sol.
Minhas manhãs têm jeito de mau-humor, de voz de sono e de preguiça em existir.
Minhas tardes são de olhos fechados, vidros empoeirados e sirenes de polícia emocional.
Minhas noites são de meia-estação, sorrisos no rosto e cristalinas na euforia de uma música interna.
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