Não vire de costas. Decorou o texto? E o figurino? Já viste se tudo está no lugar? Ok, agora respira fundo, o trabalho foi feito, apresenta.
Que arte! Nela podemos ser quem quisermos. Montar num boi imaginário, suar a camisa, suar o figurino graças aquele foco à pino. Todos te olham e tu não olhas ninguém. Muitos meses de trabalho, muitas unhas roídas, muitos medos expostos.
Lembro dos meus primeiros ensaios, meus medos de começar, meus medos de continuar, minha sensação de ser péssimo de estar aquém do que ele queria, de ele esperar muito mais de mim, eu me esforçava.
Sempre fui um aficionado pela magia, por encantar, por seduzir. O teatro me cai no colo, como e fosse destino, com a pessoa certa, um grande mestre: Sr Valter Sobreiro Júnior.
E comecei dizendo:
“Já um ror de vezes tenho dito e provo, que fui ordença no meu coronel Bento Gonçalves”. Contos da guerra grande.
E dizia tremendo, no auge dos meus 18 anos. Foi trágico e feliz. Queria abraçar o mundo com as pernas, com os olhos, com os textos, com o corpo e alma.
Seguir, numa segunda vez, dizendo:
“Nosso pai era um homem cumpridor, ordeiro, positivo. Não figurava mais tristes que os outros...só quieto”. Terceira Margem do Rio.
Essa, muito nervosismo me deu, segunda vez e estar sozinho em cena, prender a atenção e me rasgar para ser razoável, para agradar o mestre, me agradar e aos meus. No teatro, formar bagagem não é simples.
Depois a minha primeira grande pane, o chamado “branco” em “Se chovesse, vocês estragavam todos” sozinho em cena, eu comigo mesmo, mais de uma hora de espetáculo e aos dez minutos todo o texto me foge. Foram os trinta segundos mais longos da minha vida... Mas, num rompante, ele retorna e tudo corre bem.
Não consigo expressar minha tamanha alegria em estar hoje completando 10 anos de teatro, 10 anos completamente apaixonado por essa arte fabulosa, por encontrar nela o carinho, o medo, a angústia de outros que não sou.
“Sou o que não foi, o que vai ficar calado, mas temo abreviar a vida nos rasos do mundo”
Agradeço a pessoas muito queridas como
Valter Sobreiro Júnior;
Charlie Raynè,
Roberta Rangel,
Flavio Dornelles
Barthira Franco.
Que me acrescentaram muito em arte, amizade e afeição. Muito obrigado por tudo =)
Peças (ator). Ordem cronológica (tentativa).
Contos da Guerra Grande
Terceira Margem do rio.
Se chovesse vocês estragavam todos.
Antes do Baile Verde.
A Alface.
O Gueto.
Em nome de Francisco.
O Castelo.
Nadin Nadinha, contra o rei de fuleiró.
Jogo do osso.
Mate do João Cardoso.
A guerra na terra da paz.
Viúva, porém honesta
Perdoa-me por me traíres.
Antônio meu santo.
Fuenteovejuna
Diretor
Jingobel
A Família perfeita.
Nas linhas da alma.
Os gatos latem, os cães miam.
Inocêncio.
Lágrimas de Helena.
(Pseudo) Dramaturgo
A Família perfeita.
Nas linhas da alma.
Os gatos latem, os cães miam.
Inocêncio.
Lágrimas de Helena.
Venâncio e seus demônios.
O diário de um suicida.
Prêmios
O castelo e A Alface - Melhor ator festival do SESC.
Melhor espetáculo Melhor ator coadjuvante, melhor ator e melhor atriz = Jingobel.
Direção – Jingobel.
E que venha os próximos 10 anos = )
Muita merda pra nós!



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