De turbante em pensamentos, ele saiu pela gélida noite de um julho qualquer. A esmo, perguntava-se sobre a imensidão daquilo que via e se era tão imenso. Dentro dele, tocava uma gaita escocesa, acordes geniais, produzidos pelas batidas de seu coração. Perguntava-se de onde vinha, nenhuma resposta plausível. Não precisava. Bastava.
Aquele turbante não combinava com a paisagem gélida. Era cor de creme, ou lilás... As cores mudavam de acordo com seus pensamentos, naquele momento estava amarelo queimado, uma cor-não-cor... Ele furtava as cores.
Apreciava anis, mas não como qualquer marroquino ou etíope... Ele pensava em anis. Com seu toque inequívoco, perambulava em estradas pouco habitadas. Queria falar de amor, mas não tinha com quem. Talvez não precisasse. A gaita continuava a galanteá-lo. Ele parou, ela seguiu. Acendeu seu charuto [não cubano, do leste europeu] e pensava no seu passado e como havia chegado ali. Ele pensava e sentia orgulho.
De repente, sentiu-se tomado em vermelho, memórias nem sempre são boas. Lembrou-se de tantas vezes que sentiu vontade de cometer insanidades com “desfechos medievalistas”. Arrependeu-se.
Puxou de seu bolso um retrato, já desgastado pelo tempo. Doze anos e seis meses desde aquele sorriso ali impresso. Aqueceu-se com ele. Regozijou-se. Ele sabia que há qualquer momento poderia reencontrá-la, era uma questão de escolha. Ele escolhia: não. Aquele amor estava cristalizado em cores marrons [talvez ali residisse o maior desejo de enfrentar], seu turbante ficou laranja, se sentia não compreendido, pequeno, inviável, insólito... Uma insólita presença dentro de si [a gaita tocava uma valsa, em seis tempos].
Não sabia mais se seguia a viagem por aquele caminho, não mais seguro. Lembrou-se que a segurança estava no passear de cada passo. A vontade de rever outros caminhos, estava presente. Ele estava cansado, precisava dormir...
Preferiu não fazê-lo, preferiu...
...retirar-se para dentro de si e dançar aquela linda valsa vermelha...
...por dentro.
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