De alguma forma parafraseando o mestre que diz haver dragões no apartamento. O meu está aqui, está naquele canto, entre o sofá e o mural de fotos. Ele andava rindo, descontroladamente por entre as esteiras fáceis de amar. Não lançava labaredas ferozes, lançava algo como marshmallow’s coloridos, cheios de vigor e atenção. Quando chegava a madrugada, ele voava por entre os prédios, de forma invisível, pegava a estrada e ia até um lugar distante, com belas pontes e necessários verdes. Quando chegava, imediatamente diminuía de tamanho, para que pudesse passar por debaixo da porta, muito silencioso para não acordar a rata. Passava por mais uma porta, subia numa cama e suspirava [em silêncio] e dizia: “vim te cuidar, não vais passar essa noite sozinha, eu te aqueço um pouquinho”.
E lá ficava velando aquele sono calmo, sono com meias divertidas e mil cobertores. Ficava triste em não poder mirar aqueles olhos que agora descansavam, mas ficava feliz por respirar aquele mesmo ar, sentir aquele calor...[ o dragão nunca me contou, mas creio que de vez em quando ela devia roncar].
Agora eu to olhando o dragão aqui do meu lado, nem sombra do que era, tentando se fazer de forte, tentando não transparecer tristeza, só para mostrar que está tudo bem. Os dragões têm seus momentos de hipocrisia. Algumas lágrimas caem em seus enegrecidos olhos de dragão, mas tudo bem... acredita-se que lágrimas de dragão podem curar as feridas do coração.

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