domingo, 29 de maio de 2011

Um trem, uma estação


O som do trem partindo já pode ser escutado três estações ao longe. Ouve-se o tilintar dos sinos da estação. Eu não corri e o perdi. Foi bem melhor assim. Sentei-me no banco dela. Lá estava eu, só. O vento carregava as folhas de um jornal, datado de séculos, para lá e para cá. Nele, havia uma foto minha: PROCURA-SE. Eu olhei minha foto, e pensei:
- Me encontrei.
Havia naquele olhar um espectro de razão, de existência. Passei o polegar na foto e senti como se estivesse realmente me tocando. Uma foto, uma fotografia em branco e preto, num jornal secular me fez ver o quão ínfimo eu era. Me fez pensar que minhas promessas sobre mim mesmo foram quebradas pela única pessoa que me pode quebrar promessas: Eu. Eu não falo mais comigo.
De repente alguém senta ao meu lado, havia perdido o mesmo trem, que rumava a qualquer lugar. Dois passos de distância, observei-a atentamente. Ela não me viu, fez que não viu, ou mesmo não quis ver. Ela segurava em suas mãos algo... Uma máquina, um transportador de sonhos, um congelador de pessoas em imagens. Ela apontava aquilo para diversos lugares, a esmo. Eu observava. De repente ela apontou aquilo pra mim e fez “trec”!! me apavorei. Senti que algo havia mudado depois daquele flash. E foi.
Eu fui transportado para uma realidade estranhamente obscura, com uma vontade imensa de descobrir. Permito-me? Ou melhor, me permitirei? Não sei...
Apenas sei que enquanto voava por entre os jornais de fantasias, percebi que a foto que havia estado nele, era a mesma que o misterioso ser havia tirado há poucos instantes. Como? Não sei. Mas só sei que: “A vida tem sempre razão”.

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