segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um trem, uma estação (cont 2.)

... nas costas dela ele fez menção de segurar o cabelo, ao mero toque de suas mãos ela fecha os olhos delicadamente, como se soubesse o que estava por vir. Mas, ela segue até o próximo vagão. Era um vagão escuro, iluminado por vaga-lumes encantados. Ela estava iluminada por eles, mas ele percebe que seu sorriso perfeito ilumina-o mais, por dentro.
O trem pára. Fim da linha? Não. Apenas uma nova estação, um novo estágio. Todos admiram a cena pela rua e não tem coragem de participar dela ativamente.
Enquanto isso, no vagão vaga-lume, eles se olham incessantemente, ela timidamente sorri, ele retribui de forma singela.  Nesse vagão, tinha uma porção de coisas diferentes. Nas paredes, molduras em branco, com tintas e fotos num recipiente, como se implorassem para serem colados e montados. Algumas fotos de paisagens e castelos começam a flutuar, querendo compor uma cena perfeita. Uma foto dela flutua e o rodeia por completo mas, ele não tira os olhos dela, fita-a com carinho, carinho gratuito. Um relógio na porta indica uma hora em números romanos ao contrário (como se alguma coisa ali fizesse sentido). Um pincel carregado de tinta verde lhe pinta o nariz, ela ri de uma forma doce, de uma forma doce ele retribui.
O trem parte em movimento, ele cai com o solavanco. Ela e os vaga-lumes somem, ele está no escuro, mas não se sente só, nem ela...

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