segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um trem, uma estação (cont.)


E tendo a vida, sempre razão, flutuei por entre árvores, já conseguia ouvir o trem apitando freneticamente como se me avisasse onde devia ir. Já estava embrulha em jornais que não contavam verdades novas. Não preciso delas. Minhas verdades são receitas do que sou.
O trem diminuiu a velocidade, por entre as nuvens já o via. Encima dele a moça com a o aparelho de congelar pessoas, mirava aquilo em minha face, e não parava de “trecar”! Aquilo não me incomodava, eu era um misto de jornais umidificados pelas fofas nuvens que em envolviam. Ao descer, a última porta do trem se abre, lentamente. Eu caio como uma batata voadora enjornalada. Quem abriu a porta? Ela. Vi de relance quando a porta do outro vagão se fechava, deixando cair uma manta de cor ainda a definir. Tinha um perfume, de difícil definição. O ultimo vagão era um pequeno vagão de museu. Eram todas coisas novas.
Não tinha tempo para observar direito o que tinha, mas pude perceber que eram máscaras. Tenho certo medo de máscaras, saí correndo do vagão. Onde ela está? No próximo? Um flash. Não me cegou. Lá estava ela, sentada numa poltrona à Luiz XV. Olhava para a paisagem. Não quis sentar-me ao seu lado, preferi observar suas próximas atitudes que me indicasse um caminho a seguir. Ou não. Eu disse: Oi. Ela não me olhou nos olhos, mas vi que sorriu avermelhadamente. Isso é fofo. Eu gosto de coisas fofas, que aquecem por dentro, um flutuar por dentro sempre foi, das artes, a que mais me deixa bem.
Ela tinha um ar...que não consigo definir.
Mas, para onde vai esse trem? Olhei para o lado, pra ver se a paisagem me indicava um local conhecido, quando voltei o olhar para a poltrona, ela não estava mais. Terceiro vagão? Parti. Uma música estranha começava a tocar. Não um estranho ruim, diferente, como tudo que é bom deve ser. Ela estava parada no outro vagão. Ele tinha cor de anis. Ela estava de costas para mim... Aproximei-me, sem desviar o olhar desta vez. Ela não se mexia... toquei seu cabelo, tinha o mesmo perfume que outrora havia sentido. E...

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