domingo, 28 de agosto de 2011

Tica Tac ... meu relógio faz

(Laerte Pedroso – 03h15min)

A vida realmente é um bom tema para ser discutido. Claro! É algo fascinante, tantos já tentaram - muitos com proeza - defini-la. Mas, qual realmente o sentido da vida? O que querem que pensemos? Sim, pensemos. Pois, agir é relativamente fácil. Vamos tentar refletir um pouco: todos os dias seguimos uma determinada ordem, seja ela biológica ou meramente cronológica (ambos muitas vezes anexadas). Acordamos, comemos, trabalhamos, comemos, entre esses afazeres despejamos nossas impurezas biológicas, transamos (se tivermos sorte. Ou em alguns casos azar), comemos e dormimos. Um ritmo frenético. Tanto que um dos nossos maiores prazeres são as tão esperadas férias (desde que elas ocorram no começo do ano e sem dívidas) e porque isso? A resposta de repente seja simples: diminuímos nossa dependência do relógio, podemos extravasar acordar a hora que quisermos, comemos a hora que bem entendermos, transamos a qualquer horário e lugar (se tiver sorte! Ou não!). Tanto é verdade que hoje (14 de janeiro de 2009: Férias) eu estou aqui, acabei de comer, vi três filmes essa madrugada e às 03h20min da manhã estou aqui divagando a respeito disso. Ok, ta certo. Estou aqui divagando, discutindo acerca dos relógios, mas na verdade é insônia mesmo, não consigo dormir ok? Tenho que levantar as 09h para ver um apartamento e não consigo pregar o olho. Porque que a dona do apartamento não disse: “Meu filho, pode vir a hora que quiser, não quero atrapalhar a sua rotina anti-relógio nas férias”, mas não: “09h se quiser”. Sim senhora!
Mas eu me considero um vencedor. Meu tempo interno é muito superior a tudo isso. Claro, procuro nas discutir com essas pessoas normais: que horas são? 03h26min. Pra vocês! Para mim não são nem 20h. To com todo pique (quase!). Mas do que estávamos falando mesmo? Ah! Sobre a vida. A brevidade da vida. Será mesmo que ela é breve? “Depois dos 15 anos, voa” tudo bem é verdade. Certa vez ouvi de meu pai que se ele tivesse a maturidade adquirida aos 64 anos de idade dele com a minha idade na época (15 anos) ele dominaria o mundo. Confesso, só entre nós: ainda bem que isso não aconteceu. Senão não teria graça, hoje com essa dita sabedoria no auge de minha sapiência aos 25 anos 14 dias 03h e 30min eu dominando o mundo. Se bem que as coisas seriam bem diferentes. A primeira coisa que faria se dominasse o mundo seria: NADA. Aliás uma de minhas atividades prediletas: O ato de não fazer NADA... Como esse texto, que não serve para nada, nem para me dar sono. Espero que em você digníssimo (acho) leitor pelo menos para isso ele tenha servido. Leia a noite, se tiver compromisso pela manhã e ainda estiver sem sono. Ótimo remédio.
Hum... Mas voltemos a falar de vida. Agora sua vez. Sim. Vamos, não seja tímido. Como está sua vida? Mas o que é isso? Vamos conversar. 03h34min. Diga alguma coisa. Está aí me olhando com essa cara de “sei lá o que” e não diz nada. Não adianta comentar no blog depois. Vamos. Sua vez. Hable comigo. Somos amigos, eu acho. Pelo menos estou dentro de sua casa agora. Preciso que se abra comigo, senão isso vira uma masturbação intelectual, eu “falo” você me “escuta” e não chegamos a lugar nenhum. Mas não precisa me dizer nada. Eu sei. Quer ver? Sua vida: está passando por algum problema. Ou melhor, alguns problemas, de gravidade variada. Algum financeiro. Parece-me um tanto quanto abatido (a), problemas no amor? Sei como é. Problemas no amor são sempre os mais difíceis de resolver, para alguns. Mas tudo se resolve. Que tal uma conversa? Vamos. 03h39min. Tic tac. Ainda bem que já me desprendi desse lance de relógio. Ta olha só... Quer saber? Você vai se lascar mesmo e sabe por quê? Por que no amor é assim, uns se lascam enquanto os outros se dão bem. É! E você, seu (sua) babaca ( o, a, os, as, sei lá!) foi o escolhido (a) agora! É! Justamente as 03h42min! Foi o escolhido (a) babaca dessa pessoa e não adianta espernear. Ta sozinho (a), ou pior, ta acompanhado (a) com um belo par de chifres. Não se preocupe eu às 03h44min estou aqui para lhe ajudar: não fique assim, o chifre não é nada mais do que fruto de nosso egoísmo, de nossa sociedade cristã - ocidental que nos impõe a monogamia, um gesto egoísta que prega o não compartilhamento do corpo com o outrem que não seja aquele que você acertou, quase como num contrato (se bem que namoro é um contrato verbal e o casamento um contrato visceral, com cartório e tudo.) então pense (às 03h47min) que você não é egoísta e permite dividir e pronto, seus problemas acabaram. Viu como nossa conversa sobre a “vida e o tempo” está se tornando produtiva? Pois é! E você duvidando ainda de onde isso aqui vai dar. (risos) me subestimando não é? Sem problemas. Olha só, estou cansado de ter que escrever textos que tenha lógica (mais um termo relacionado a tempo, espaço e sociedade, que saco!), por exemplo, quantas vezes somente nesses 5 minutos em que você está lendo esse belo texto, afirmou que isso era perda de tempo. Justamente às 03h51min. E eu aqui, até resolvendo seus problemas amorosos, quanta falta de consideração comigo.
Bom, meu celular despertou agora 03h59min, destinei 44 minutos da minha madrugada para escrever esse texto. E já se passaram. Portanto amigo (a), faça como eu, não seja escravo dessas convenções capitalistas. Não seja escravo do tempo.
E tenho dito!


Laerte Pedroso. 04h02min

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Seis goles d'água


Sim, apenas seis são suficientes para resolvermos qualquer problema. Veja bem: sabe aqueles dias escaldantes? Repletos de afazeres? Experimente seis goles de água! Pronto, de repente lá se vão os problemas, todos. Seis goles de água, uma solução. Não acreditou ainda? Pois bem, faça o teste. Dia chato, teu patrão te enchendo e você louco para falar aquilo tudo que sempre quis e que, com certeza, lhe custaria o emprego. Beba seis goles, nada a mais nada a menos. Pronto, esfriou! Ah! Mas claro que meu distinto leitor é uma pessoa inteligente E ESTÁ se perguntando: mas e no inverno? Isso não adiantaria!. Bom, desconsiderando ao fato de que sou nordestino e que minha terra jamais passa frio, poderia concordar. Mas, esse bravo escritor não pode deixar de tentar vencer a luta aqui imposta por ele (mim) mesmo. A regra continua se aplicando. Ah! Surpreso? Pois é. A regra continua se aplicando (só preciso ver como, já que fui pego de surpresa por mim mesmo, portanto, enrolo enquanto tento arrumar uma resposta plausível).
Pronto! Descobri. Você chega a casa, em pleno frio de agosto. Depara-se com sua mulher no sofá (só não digo na cama porque é o lugar em que os casais amantes menos fazem sexo hoje em dia) com outro homem (prefiro aqui utilizar o gênero masculino embora as estatísticas afirmem que as relações entre mulheres estão crescendo e nesse caso isso acabaria em bacanal). Você saca a sua arma (sim, você tem uma arma) e atira! Boom! Mata o amante. Boom! Mata a esposa. Boom! Mata o gato dela, já que não quer ter nenhuma lembrança dessa vagabunda e o gato lhe dava alergia. Você acaba de tirar três vidas. Se tivesse me escutado, ou melhor, lido, essa história teria um final diferente! Você entraria em casa, encontraria sua mulher com outro no sofá, com gato ao lado. Em vez de puxar a arma, você correria até a cozinha fazendo o máximo de barulho possível, encheria um copo de água e toma seis goles, tempo suficiente para o amante colocar as calças e sair correndo junto com a sua mulher, mãe dos seus filhos pela porta levando o gato. Você se desespera, pois, o gato era a única lembrança que teria dela, mesmo que ele lhe proporcionasse alergia. Sua vida estaria acabada, corno, com filhos para criar, no inverno, porém pouparia algumas vidas. Viu? Com seis goles de água, o mundo seria outro.

sábado, 13 de agosto de 2011

Sutileza


Ela me sorri com a alma. Que saudade do sorriso dela, do seu jeito peculiar. Ela me conquista com seu caminhar, revoga meus medos mais íntimos, mas escusos. Quando sua imagem me vem à mente, tudo parece confortar, deixa claro, sem borrões. Como é bom poder fechar os olhos com simplicidade e se jogar de costas, pois ela ampara com seu toque suave.
Lá vem ela [quem dera]. Impossível não sorrir ao imaginar a cena perfeita. “Princesa dos olhos d’água”. Quando a vejo, meu coração dispara, meu sangue aquece minhas dedicações. Quando a beijo, sinto cheiro de entrega, de dia feliz, de riso fácil. Quando ela vai, sinto um ‘até logo’.
Sua voz é suave, ao menor distrair... Ela se faz perceber em consoantes e vogais aveludadas regadas a carícias com uma sutileza-não-sutil. Mordo, abraço, suspiro, desejo, cumplicidade, ternura, paixão... e tantos mais à essa pequena, que não se esconde de mim, não consegue. Levo-a na leveza correta de levar. Trago-a nos meus braços apertados de saudade doída. Uma saudade de rir olhando nos olhos, num sofá cor de vinho, saboreando cada momento, perplexo com a beleza do verbo “Estar”. Estar, estar, estar, estar... Como é bom estar... Assim.

domingo, 7 de agosto de 2011

As [in]sensações

A canção tocava na vitrola naquela estante antiga. Trepidava seu inconsciente, trepidava sua alma de andarilho. Ele sentia um desejo longínquo de estatizar aquilo. Era tudo tão diferente.
Ao pegar o livro de capa cinza, queria ler algumas palavras que o confortasse, que o deixasse sentindo algo que sempre gostou de sentir, quem sabe amor, quem sabe desejo, desejo de estar próximo do que lhe era caro.
Fazia-se um carinho com olhos fechados em volúpia de lembranças pueris. Desejava vestir um chapéu azul que não tinha. Queria sentir aquele aroma, o livro já não mais entregava a ele aquelas sensações. A música parou, ele parou. Abriu um champagne para brindar o “imbrindável”. Colecionava emoções que não eram suas, sustentava realidades alheias. Queria sair de casa, saiu.
Pela rua, corria entre lágrimas pedindo que visse, precisava ver, mais uma vez. Mas ele não sabia mais o que deseja no fundo do seu âmago. Parou de sentir, parecia vegetar.
Havia vendido barato todas as suas emoções, não precisava mais delas, não queria precisar de mais nenhuma emoção. Assim era melhor. Havia cansado de sentir tão intensamente coisas que só ele sentia. Certo ou errado? Branco ou preto? Verde ou azul? Parecia tudo igual.
Foi até o chafariz, estava vazio e sujo, não esboçou reação. Onde se compram emoções novas? Qual armazém? Não conseguia nem sentir-se frustrado. Mas o que era aquilo? De repente sente um beijo no rosto, olha para o lado e não há ninguém. Deu mais dois passos... outro beijo. Percebia que alguém oculto lhe fizera um cafuné. Então:
            -Psiu! Acorda.
Ele fecha os olhos, abrindo no mundo real. Estava em sua cama, ela ao lado lhe abrindo um sorriso lindo, dizendo bom dia, com voz de sono que o levava ao paraíso. Retribui. Conta-lhe que havia tido um sonho ruim. Ela diz:
            - foi apenas um sonho, me abraça... a realidade é bem mais quentinha.
            - sonhei que não sentia nada, vegetava sem emoções.
            - que bom, não deixa que sonhos levem as emoções que podes sentir aqui, comigo.
Ele sorriu. Ela riu de si mesma. Ele abraçou-a, fazendo-lhe cócegas e passaram a manhã de domingo assim, vivendo essa realidade simples e fora do comum.