sábado, 4 de junho de 2011

Um trem, uma estação: o vagão solitário.


... então ele ficou só, pensando seus pensamentos muito seus. Não a viu mais durante um pequeno intervalo de tempo, como o passar de um distraído fim de semana. Um perfume de rosas tomava conta de suas atitudes. Magicamente, surge-lhe um sofá, todo decorado com gibis antigos, ele deitou-se, aquela agitação do vagão parecia ter passado. Estava tudo se assentando e a solidão rodeada de pensamentos era-lhe, agora, muito bem vinda.
Começou a rememorar suas poucas vivências até ali, um pouco incomodado pela falta de referências dela, mas ele sabia que existiam e que eram muito internas. Mas ele sabia e tem convicção de que o que fosse bom deveria ser externado. Não conhecia receita, não mesmo. Mas, sobretudo, um manual de como agir consigo mesmo. Ele não foi atrás dela no próximo vagão, ficou a espera, a espera, a espera... Ele não sabia como esperar, portanto, teve que aprender e se conter. Ele se contém. Aproveita  o sofá e lê alguns gibis antigos que, de alguma forma, fizeram parte de seu passado. Ele estava cansado, precisava ver naquelas linhas coisas que pudessem lhe dar respostas, sim... Ele precisava de respostas.
De repente, alguns daqueles gibis começaram a ganhar vida, a dialogar com ele, sem nada lhe explicar, apenas perguntas a lhe fazer. Como agir? Ele não sabia, preferia ficar quieto no seu canto, esperando que algo acontecesse, um sinal, um aviso, ou mesmo um telefonema. Junto ao sofá dos gibis um telefone surge. Nele havia uma luz vermelha que piscava incessantemente, ele não entendia a razão. Ele queria agir com naturalidade diante de tantas coisas diferentes, “estranhas”, mas sabia que não poderia proceder assim. Um misto de angústia e insensatez lhe advertia de algumas coisas. Ele esperava... Ele espera, aquela luz vermelha continuava a piscar e ele? Bom, ele esperava que o telefone tocasse... Mas até então, tudo era silêncio. A não ser pelo fato de os gibis gritarem perguntas efusivas e destruidoras, ele precisava de algo mais palpável do que personagens de gibis, insanos.   

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