sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um trem, uma estação: o vagão de areia


... ela desfaz-se de seus braços e corre para próximo vagão. Já era outro dia, um novo outro dia. Ele encontra algo que não poderia ser, como nada ali. Era um vagão de areia, uma transição metafísica de suas inconstâncias. Tudo nele se movia, freneticamente. As paredes, o teto, ela, tudo era um movimento constante de perfeição introspectiva, como deveria ser.
Ela parecia gostar daquele vagão, ele se sentia confortável. Não era apenas um trem, eles estavam num momento sonhável. Objetos boiavam, ela estava sumindo, aparecendo em locais inesperados, ele não tinha o mínimo controle sobre nada e isso o fascinava. A palidez de sua face o encantava, ele queria mais um abraço, ela também. Seu sorriso iluminava todo o possível, sobretudo aquele momento. Ele parou, ela veio até ele, eles se abraçam. Naquele vagão não havia nada racional, puramente emoções vibravam. Ele a tocou suavemente com sua barba, ao som de uma música suave vinda de uma vitrola ali do canto. Seus lábios tocam-se suavemente, um misto de tremor lhes enchiam de verdade não pronunciada. O que era aquilo? Naquele instante ouve-se um pequeno coro saindo das paredes, acompanhando a música suave. O momento era suave. E no que pensavam? Talvez em nada, já que ali não havia razão inequívoca. Sentiam um furor púrpuro e calmo, dentro de sua leve loucura.
Trocaram poucas palavras, como deveria ser. Seu abraço era suave, como deveria ser... tudo ali deveria ser.
Olharam-se, com um pouco de timidez, um pouco. As paredes movimentavam-se cada vez mais rápido, como se fossem engoli-los, ou elevá-los. Uma suave brisa os tocava naquela manhã de um dia qualquer. Seus olhos diziam coisas impossíveis de ler, ou de ver, como não poderia deixar de ser.
Ela se revela pouco, apresentava-se em doses, poucas e pequenas doses, como se ele pudesse decifrá-la. Ele, estupefato, não conseguia nem analisar-se a si, quanto mais definir qualquer outra coisa naquele vagão mágico.
Talvez não haja necessidade de entender, ele aprendeu [talvez] que apenas sentir era mais simples e verdadeiro do que externar. Mas sim, ele não é dono da verdade suprema, cada vagão tem lhe provado isso, em doses [aí sim] cavalares. O tilintar de um relógio dizia que ela precisava ir... e ele? Bom, ele ...

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