Aninhando-se em meios aos gibis, ele escuta um barulho ensurdecedor vindo do próximo vagão. Ele corre para ver o que é. Quando abre a porta assiste, bestializado, uma montanha-russa. Era incompreensível para ele estar visualizando aquela cena. Era uma cena divertida e dantesca. Ela observava-o sem que ele percebesse. Havia apenas um carrinho, ele entrou, ela só olhava.
Aquele vagão era imenso, possuía todas as cores conhecidas, menos uma. Ele subiu, e começou a passear. O carrinho andava devagar, até que tudo ficou ensurdecedoramente azul. Fechou os olhos, quando abriu percebeu estar em meio a tudo que já vivera, como numa grande exposição de si mesmo. Desde sua lembrança mais remota (e ela clicava), viu seu primeiro brinquedo, sua primeira dança. Reviveu, num vídeo, a primeira vez que caiu de bicicleta, seu primeiro jogo de botão. Não havia como entender nada ali. Como tudo aquilo poderia estar acontecendo, começou a ficar emocionado e a montanha-russa deu um looping, não teve força, ou vontade, de gritar. (clic) Chegou a sua adolescência (cujo não sentia saudade). Reviu seu primeiro amor (não correspondido), suas primeiras lágrimas e poemas escritos e impublicáveis, estavam todos ali, publicados no próprio carrinho. (clic)
Seu primeiro beijo com gosto de couve. Seu primeiro amor, correspondendo quando não mais havia razão.
Como que por mágica, pacientemente ela estava sentada ao seu lado e observava tudo com muito interesse. Então ele começou a mostrar algumas coisas que lhe eram caras, uma seleção de coisas bonitas e outras tristes (clic). Mostrou atitudes firmes e sérias, brincadeiras de roda e canções de pequeno. Ela sorria, sorria um sorriso lindo. Ela pegou de sua mão, a vontade de viver era grande. Ele sentia verdade ali. Algumas músicas, algumas lágrimas, algumas histórias que poucos sabem, alguns de si mesmo...
... ele queria reverter atitudes antigas, reviver seu primeiro texto... mas o passado...é melhor manuseá-lo com cuidado... mas revivê-lo, nunca!
Clic
...
E ela é uma flor.
...
