E numa padaria qualquer...
- Boa tarde, por favor, o senhor poderia me ver um sonho?
- Ah, me desculpa, vendi o último sonho para aquela senhora que o senhor acabou de cruzar saindo pela porta.
- e não há mais nenhum?
- infelizmente estamos com falta de sonhos, eles andam muito caros para ser feitos e hoje em dia não têm muita saída.
- Nossa... Como assim?
- É mais barato comprar o usual, eu tenho ainda alguma coisa de ontem? Te interessa? Posso te dar um bom desconto.
- Mas eu quero um sonho? Não quero nada de ontem. Sonho tem gosto de amanhã, cheiro de novo. Quero um sonho.
- Quem sabe então o senhor não tenta comprar daquela senhora, tente alcançá-la.
- se é o que me resta.
E saiu atrás daquela senhora.
- Senhora, tudo bem? Eu preciso muito de um sonho, a senhora pode me vender o seu?
- Boa tarde, eu estou bem sim, obrigada por perguntar. Mas, em relação ao meu sonho não posso vendê-lo, sonho na verdade nem poderia ser vendido.
- Mas é muito importante para mim. Estou cansado de comer as mesmas coisas, já não me satisfaz mais, preciso desse sonho.
- Já disse, não posso vendê-lo.
- Por favor, o que senhora quer? Eu posso dar o que desejar.
- o que eu desejar?
- Sim.
- tudo bem, aqui está, pode levar o sonho contigo.
Ele sorriu.
- E o que a senhora quer em troca?
- Já me deu... um sorriso, uma troca muito justa não acha? Hoje somos tão frios uns com os outros, nos importamos cada vez menos com o outro, com a vontade dos outros, pensamos tanto em nós mesmos, falamos tanto de nós e acabamos esquecendo que do outro lado sempre tem alguém que sofre, que precisa de alguma coisa, nem que seja de um sonho. Já vivo só, sem companheiro, Deus o levou, sinto falta do seu sorriso aberto, ele tinha um sorriso sincero, sorria com a alma, um sonho... um sorriso.
Ela nem esperou a resposta, ele também não conseguiria responder. Ele agora tinha o sonho nas mãos e ela... um sorriso na alma.